segunda-feira, 15 de abril de 2013

CÉSAR DEVE MORRER: um grande espetáculo!

 

Os famosos irmãos Taviani  já fizeram grandes trabalhos, são famosos com justiça. Mas seu último trabalho – CÉSAR DEVE MORRER  - é mais que um grande trabalho. Começa por trazer-nos o drama ‘Júlio César x Brutus’, uma das questões mais intrigantes da História. Shakespeare traduziu-a com sua genialidade (o mal pode ser feito em nome do bem? E se feito, trará o bem??) e, parece-me, que a questão em si não escapou aos cineastas. Não terá sido por acaso que o cenário é uma penitenciária, que os atores não são ‘atores profissionais’ mas criminosos condenados e cumprindo pena.  Entretanto,  a importância do filme não fica por aqui, nessa difícil e atualíssima questão moral. Uma outra questão filosófica e prática aparece colocada em relevo: a relação arte e vida. E mais uma: a arte como instrumento civilizatório. É fantástica a maneira como se vê o diálogo, aparentemente espontâneo dos atores/prisioneiros, fundir-se ao diálogo da peça. O diretor da encenação no filme, Fábio Cavalli, é líder de um dos movimentos teatrais nas penitenciárias na Itália, e já declarou que quase não há reincidência criminal entre os que fazem teatro durante o cumprimento da pena.  Para além de tanto, ainda temos a limpa e objetiva direção dos Taviani fazendo justiça à maravilhosa dramaturgia italiana (não há como não lembrarmos os grandes atores e os temas próprios da Itália; aliás, Júlio César é um arquétipo deles, não é? E, certamente, também nosso, os do Ocidente). Teatro, cinema, história e vida: os Taviani deram conta. Assistir a ‘CÉSAR DEVE MORRER’ é um privilégio. Não percam. É genial. 

 

Os diretores do filme "César Deve Morrer", Vittorio e Paolo Taviani no Festival de Berlim (11/2/12)

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