quinta-feira, 4 de abril de 2013

LIVRO DO MÊS 1 : Edgar Morin

 

“O estado prosaico e o estado poético são duas polaridades de vida: se não existisse a prosa, não existiria a poesia. A primeira é aquela que usamos por obrigação ou constrição em situação utilitária e funcional; a outra é a de nossos estados amorosos, fraternais, estéticos. Viver poeticamente é viver para viver. É inútil sonhar com um estado poético permanente que, de resto, se esmaeceria por si mesmo. Somos destinados à complementaridade e à alternância poesia/prosa.
Neste começo de terceiro milênio, a hiperprosa progrediu em todos os setores da vida com  a invasão da lógica da maquina artificial, a hipertrofia do mundo tecnoburocrático,a invasão do lucro, os excessos de um tempo simultaneamente cronometrado,sobrecarregado, estressante, à custa do tempo natural de cada um.
A política de civilização necessita de uma plena consciência das necessidades poéticas do ser humano. Ela deve esforçar-se para atenuar as pressões, servidões e solidões,deve opor-se à invasão desoladora da prosa, de modo a permitir que os seres humanos expressem suas virtualidades poéticas. Ela contém uma dimensão estética: a estética, voltaremos a ela, não é um luxo; as emoções suscitadas pela beleza diante da natureza, da arquitetura, das obras de arte, são parte integrante da poesia da vida.”

In A VIA  para o futuro da humanidade, Edgar Morin, Bertand Brasil, RJ, 2013.

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