quarta-feira, 17 de abril de 2013

THERESE DESQUEYROUX : um desafio inteligente


“Minha cabeça está cheia de ideias. É isso que me dá medo...”, essa frase da protagonista define o filme Therese Desqueyroux. O novo, e último, trabalho de Claude Miller, com Audrey Tautou no papel principal, é inovador pela apresentação do velho tema da opressão social e feminina, sob o novo prisma de uma resistência sem autopiedade. Isso, por si só, vale o filme. É um ótimo tratado de psicologia. Mas o filme tem muito mais: a incrível (mais uma vez) atuação de Tautou: contida e indomável, fria e fervente, sensível e cruel... Audrey Tautou conseguiu uma incrível expressão corporal pétrea com o olhar em chamas.  Uma fotografia linda, um roteiro bem construído (tenho um senão com a cena final, ou melhor, com o desfecho...), perfeita direção de arte e um elenco exemplar completam o bom programa.  

O tom dramático é a morte de Claude Miller, em 2012, antes do lançamento do filme. Ele adaptou o livro de François Mauriac (1885-1970), prêmio Nobel de Literatura. Não li o livro, dizem que Miller deu outro final à trama de Mauriac. Como eu disse antes, minha crítica é somente quanto ao desfecho do filme. Mais uma razão para que eu leia o livro. Adorei a desculpa. 

 

 

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