domingo, 30 de junho de 2013

UMA SEMANA COM ANA CRISTINA CÉSAR 1



3793
Frente a frente, derramando enfim
Todas as palavras, dizemos, com os

Olhos, do silêncio que não é mudez.


http://olhares.aeiou.pt/

sábado, 29 de junho de 2013

UMA SEMANA COM QUINTANA 7




Hoje é outro dia

Quando abro cada manhã a janela do meu quarto

É como se abrisse o mesmo livro

Numa página nova...



quinta-feira, 27 de junho de 2013

UMA SEMANA COM QUINTANA 5


Mario-Quintana (foto de Dulce Helfer)

Eu escrevi um poema triste 
Eu escrevi um poema triste 
E belo apenas da sua tristeza.
Não vem de ti essa tristeza
Mas das mudanças do tempo,
Que ora nos traz esperanças
Ora nos dá incerteza...
Nem importa, ao velho tempo,
Que sejas fiel ou infiel...
Eu fico, junto à correnteza,
Olhando as horas tão breves...
E das cartas que me escreves
Faço barcos de papel!


quarta-feira, 26 de junho de 2013

UMA SEMANA COM QUINTANA 4




Essa lembrança que nos vem

 
Essa lembrança que nos vem às vezes...
Folha súbita
Que tomba

Abrindo na memória a flor silenciosa

De mil e uma pétalas concêntricas...

Essa lembrança... mas de onde? de quem?

Essa lembrança talvez nem seja nossa,

Mas de alguém que, pensando em nós, só possa

Mandar um eco de seu pensamento

Nessa mensagem pelos céus perdida...

Ai! Tão perdida

Que nem se possa saber mais de quem!

terça-feira, 25 de junho de 2013

Sarah para o clube: VIVA O VERÍSSIMO!

Não sei se você viu, mas flagraram duas cegonheiras com tanques chegando na Fernão Dias em Belo Horizonte hoje de manhã. O comunicado oficial da PM disse que não é por causa das manifestações de amanhã, mas se este for realmente o caso, ninguém sabe informar o porquê. Então, lembrei do Veríssimo e fiz um poema numa hora dessas!

Tem gente na rua!

tem gente querendo direitos
tem gente exercendo dever
tem gente exigindo respeito

e tem gente manifestando sem saber porquê.

tem gente pedindo qualidade de vida
tem gente pensando em uma saída
tem gente mudando o país e apanhando
e tem gente quebrando e roubando.

tem policial se fazendo de bobo
tem tanque, tem bomba e tem soco
tem político se desesperando
e tem feriado novo para jogo.

Mas finalmente, tem gente na rua se chamando de "povo".

Por favor, cuidado, gente, porque: tem gente na rua!
Tem gente boa, tem gente doida e tem gente burra
E pra um desses querer testar o brinquedinho desses, não custa.


ps: obrigada, Sarah.
ps2: essa é a nossa bandeira:







Segundas reflexões primárias: questões...

 

1)      O gigante acordou... Mas agora se descobre que ele era vândalo??!! E não mostra a cara?? BRASIL, MOSTRA A TUA CARA... Quem não mostra a cara, não tem direitos, nem voz, nem vez... melhor dormir.

2)      Há uma primeira lição para o PT e para todos nós: HÁ FALTA DE EDUCAÇÃO. (TODO MUNDO JÁ SABIA, MAS AGORA TEMOS CERTEZA!) Os manifestantes, em sua maioria absoluta, eram crianças quando o PT assumiu o poder. E NÃO ADIANTA JOGAR PEDRA; o PT fez história; mas agora tem que reconhecer que faltou à aula: EDUCAÇÃO É PRIORIDADE!

3)      POR OUTRO LADO: EDUCAÇÃO É TAMBÉM UMA QUESTÃO DE BERÇO! E O NOSSO, GENTE, É ESPLÊNDIDO...  ou não é?

UMA SEMANA COM QUINTANA 3





A letra e a música


Quando nos encontramos

Dizemo-nos sempre as mesmas palavras que todos os amantes dizem...

Mas que nos importa que as nossas palavras sejam as mesmas de sempre?

A música é outra!


segunda-feira, 24 de junho de 2013

Hoje é dia de São João...



 

‘Vida y muerte le han faltado a mi vida. 
De esa indigencia, mi laborioso amor por estas minucias’. (Jorge Luis Borges)

UMA SEMANA COM QUINTANA 2




O que o vento não levou

No fim tu hás de ver que as coisas mais leves são as únicas
Que o vento não conseguiu levar:

Um estribilho antigo
Um carinho no momento preciso

O folhear de um livro de poemas

O cheiro que tinha um dia o próprio vento...





domingo, 23 de junho de 2013

UMA SEMANA COM QUINTANA 1




Ela e eu

 A minha loucura está escondida de medo embaixo da minha cama
Ou dançando em cima do meu telhado

E eu estou sentado serenamente na minha poltrona

Escrevendo esse poema sobre ela.
 
Foto: A lua desliza no telhado do vizinho

quarta-feira, 19 de junho de 2013

PRIMEIRAS REFLEXÕES SOBRE AS MANIFESTAÇÕES POPULARES:


             Inicialmente, senti absoluta perplexidade, uma confusão: ‘o que está acontecendo?’ Ainda de início, mas com menor perplexidade, começo uma reflexão sobre as manifestações populares que tomaram as ruas do país (e, de forma nova e surpreendente, manifestações de brasileiros fora do país). Bom, penso que, a princípio, trata-se mesmo de demonstração da confusão e da desordem geral; condição que tem grande significado nesses tempos atuais. Há algum tempo, vivemos uma grande desordem, nos mais diversos sentidos.
           A partir da alegria e da grata surpresa de ver, depois de décadas de indiferença (só me lembro de pessoas nas ruas nesse país em 92, impeachment do Collor), o encontro de milhares de pessoas nas ruas, percebo que há uma grande dificuldade de formulação discursiva. E a partir daí, a minha reflexão toma um primeiro rumo.
        Há alguns anos, as pessoas estão isoladas, emudecidas e, já o dissemos em outros contextos, sedadas (por diversas condições que aqui não cabe repetir). Certamente, nessas condições é impossível o desenvolvimento de alguma discursividade consistente.
        Dissemos, pois, que o isolamento e falta de articulação discursiva são características básicas da geração que, hoje, chega à vida adulta (os nascidos a partir do começo dos anos 90). Trata-se da geração da internet (e toda a parafernália correlata, ou seja, a relação quase exclusiva com telas e botões), da medicalização da vida (substâncias de naturezas diversas surgiram como solução para as mais diversas circunstâncias da existência) e da competição desenfreada e absoluta por um mero posto de trabalho. (sim, a melhor promessa feita a essa geração foi apenas um trabalho bem remunerado).
      Enquanto isso, a geração anterior, que havia crescido e se constituído em lutas políticas, chegava ao poder e se assentava. Essa geração, me parece, feliz com a conquista básica da democracia, esqueceu-se de que ‘a vida não para’. O esquecimento da exigência fundamental de educação para o ser humano, é fatal.  Isso muito contribuiu para o isolamento do indivíduo, já citado acima.
       A alegria brasileira com a questão da COPA DE FUTEBOL E DEMAIS EVENTOS, revelou-se por demais artificial; gostamos muito de futebol e de festas (somos os melhores nisso e isso é bom) mas não somos idiotas; o espetáculo de bem estar geral revelou-se essencialmente falso.
         Juntando tudo, felizmente, deu nisso: rompeu-se a condição de indivíduos sedados, isolados, indiferentes e violentos.
        O ser vivo não suportará sedação, isolamento, violência e indiferença; essas são condições de morte.
         Para mim, essa é a primeira constatação. As manifestações dizem, primeiramente, que estamos vivos e queremos nos expressar. Ainda que não saibamos ainda como fazê-lo com clareza. Isso vale para todos; não há uma categoria, profissão, gênero, partido, etc. Somos todos nós.
       Isso faz sentido com características do movimento: não há uma bandeira partidária; são diversas e desarticuladas as palavras de ordem, são expressões de significados novos, são várias e vagas (e justas) as reivindicações: educação, saúde, honestidade, respeito... Precisamos aprender. Todos nós.
       Recuaram quanto ao preço do transporte público. Não bastará.
       Nesse momento, espero que esse movimento (que já merece ser celebrado por si mesmo) seja a primeira manifestação da reformulação do discurso, seja a construção expressiva da condição atual dos sujeitos: subjugados, desconsiderados, manipulados, emudecidos e sedados.
     Estou feliz. Estou vivendo uma revolução que eu temia não viver para ver: a revolução do sujeito isolado, do sujeito de vida reduzida à mera competição por um trabalho, do sujeito sem discurso e sem desejo.
       É um evento novo.
     Evento que irrompeu no Brasil, país que sempre considerei alma do mundo. Continuo pensando... E aprendendo. E torcendo: pelo Brasil, pelo brasileiro, e pela expansão da vida.
Magda Maria Campos Pinto 


CENTENÁRIO DE VINICIUS DE MORAES 6

 
A ARCA DE NOÉ

Sete em cores, de repente
O arco-íris se desata
Na água límpida e contente
Do ribeirinho da mata.

O sol, ao véu transparente
Da chuva de ouro e de prata
Resplandece resplendente
No céu, no chão, na cascata.

E abre-se a porta da Arca
De par em par: surgem francas
A alegria e as barbas brancas
Do prudente patriarca

Noé, o inventor da uva
E que, por justo e temente
Jeová, clementemente
Salvou da praga da chuva.

Tão verde se alteia a serra
Pelas planuras vizinhas
Que diz Noé: "Boa terra
Para plantar minhas vinhas!"

E sai levando a família
A ver; enquanto, em bonança
Colorida maravilha
Brilha o arco da aliança.

Ora vai, na porta aberta
De repente, vacilante
Surge lenta, longa e incerta
Uma tromba de elefante.

E logo após, no buraco
De uma janela, aparece
Uma cara de macaco
Que espia e desaparece.

Enquanto, entre as altas vigas
Das janelinhas do sótão
Duas girafas amigas
De fora as cabeças botam.

Grita uma arara, e se escuta
De dentro um miado e um zurro
Late um cachorro em disputa
Com um gato, escouceia um burro.

A Arca desconjuntada
Parece que vai ruir
Aos pulos da bicharada
Toda querendo sair.

Vai! Não vai! Quem vai primeiro?
As aves, por mais espertas
Saem voando ligeiro
Pelas janelas abertas.

Enquanto, em grande atropelo
Junto à porta de saída
Lutam os bichos de pêlo
Pela terra prometida.

"Os bosques são todos meus!"
Ruge soberbo o leão
"Também sou filho de Deus!"
Um protesta; e o tigre - "Não!"

Afinal, e não sem custo
Em longa fila, aos casais
Uns com raiva, outros com susto
Vão saindo os animais.

Os maiores vêm à frente
Trazendo a cabeça erguida
E os fracos, humildemente
Vêm atrás, como na vida.

Conduzidos por Noé
Ei-los em terra benquista
Que passam, passam até
Onde a vista não avista.

Na serra o arco-íris se esvai...
E... desde que houve essa história
Quando o véu da noite cai
Na terra, e os astros em glória

Enchem o céu de seus caprichos
É doce ouvir na calada
A fala mansa dos bichos
Na terra repovoada. 
 

terça-feira, 18 de junho de 2013

‘ - Paz no futuro e glória no passado’


Eu não sou Dom Quixote (será?... há controvérsias) e, talvez, eu não saiba quem sou eu. Mas é certo que sei quem não sou. Sou do bem, e me sinto bem, bem indignada, bem intencionada, bem ocupada com o bem comum. Estou feliz (demais) com o ‘povo’ (saudade dessa palavra) nas ruas... ‘gente reunida, uma causa coletiva, uma SOLIDARIEDADE....!’ Gente!, isso é o máximo! Estou, com minha aplicação de sempre (isso sei que sou: bem aplicada), observando, ouvindo, estudando, perguntando... porque não é simples, não creiam que seja simples.  Então, vamos que vamos... Pois conquistamos a democracia (e eu estava lá...) então, vamos.... Por enquanto, quero ‘compartilhar’ (estou estudando essa palavra também, sei que é um verbo fundamental nesses dias...) esse texto que se segue. Eu escreveria isso; ele escreveu primeiro. E esse meu comentário é só o primeiro. Estou empolgada, virão muitos.  E no mais, por enquanto, ‘que um filho seu não foge a luta’, eu já sabia, assim fui e sou. ‘O deitado em berço esplêndido’... é canto recente, não é do meu tempo. Mas parece que está passando... (ou serão minhas utopias?) E que não nos esqueçamos: ‘ - Paz no futuro e glória no passado’.

http://blogdomenon.blogosfera.uol.com.br/2013/06/17/o-dia-em-que-eu-fiquei-velho/ 

p.s: minha bandeira foi, é e será: 'EDUCAÇÃO DE QUALIDADE PARA TODOS'. Eu irei para as ruas sim, por uma EDUCAÇÃO de qualidade.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Para o grupo de estudos: Freud e Kafka: um estudo sobre o estranho.

Terceira parte: 

 Superada a etapa narcísica, a experiência de castração integra-se à constituição do sujeito. Melhor dizendo, é a partir da integração da experiência de castração que se constitui o sujeito (sujeito barrado, ciente da lei, da incompletude, sujeito do conflito, sujeito da linguagem, sujeito que introjetou o nome-do-pai, sujeito que coloca pontuação ao grande Outro, etc.).

Melhor ainda, superado o narcisismo, a morte anunciada no segundo tempo da experiência do ‘duplo’, formaliza-se enquanto instância psíquica: seja pela morte simbólica do pai, que abre lugar no mundo para o filho, seja pela morte simbólica do filho, obedientemente afogado na palavra do pai.

A evolução do fenômeno do ‘duplo’ - a princípio garantia de proteção e vida e, posteriormente, anunciador da morte - pode ser bem percebida na leitura de ‘O VEREDICTO’.

No começo da história, o querido amigo de Georg refugia-se no estrangeiro: escapando de casa está protegido. É o primeiro tempo do duplo – um objeto amigo – e por isso, Georg, que ficou em casa, pode crescer. Encontra uma namorada, fica noivo e os negócios progridem. Mas, em seguida, o amigo fracassa lá no estrangeiro, e o sucesso de Georg sucumbe à dúvida. Como comunicar o ‘próprio êxito’ ao amigo? Estranhíssima dúvida: não se trata de um amigo? Portanto, não deveria ficar feliz com a felicidade de seu amigo? Ou ficaria com inveja? Ou se sentiria ultrajado? O uso da expressão ‘próprio êxito’ – textualmente – revela a ambiguidade entre Georg e o amigo. O fato é que a angústia de Georg sobre o futuro de uma feliz relação de amizade leva-o a pedir ajuda ao pai. Logo para o pai, um desconhecido. Sim, mas a quem mais?

Ao acercar-se do pai e expor sua angústia – ‘o amigo pode ofender-se com minha felicidade? Mas se é meu amigo poderia ficar feliz comigo?’ – vemos que Georg aproxima-se como quem consulta um oráculo. A emoção que o domina é assustadora – ‘ele ainda é um gigante’. A reação do pai não tarda. Começa com autodeploração e deságua em acusações ao filho. Sente-se um velho falido, pai de um trapaceiro, pois não acredita que haja amigo algum. Eis outro momento em que Kafka nos deixa em dúvida sobre a realidade da existência do amigo; esse poderia ser uma fantasia de Georg, como, a princípio, o pai sugere. Em seguida, a explosão emocional do pai leva-o ao desmaio. Então, Georg sente piedade e toda a preocupação com os sentimentos do amigo é, mais uma vez, transferida para o pai. Arrasado pela queda do gigante, quer socorrê-lo: ‘Vamos deixar de lado os amigos. Para mim, mil amigos não substituiriam meu pai’.

Agora, chegamos ao auge da história onde se revela toda a ambivalência da relação pai/filho. Georg carrega o pai para colocá-lo na cama enquanto se culpa por não ter cuidado dele devidamente. O pai agarra-se desesperadamente ao filho segurando-o pela corrente do relógio. A visão do pai agarrando o seu relógio causa, em Georg, um exasperante sentimento de repulsa. Ao ser colocado na cama e coberto pelo filho, o pai explode mais uma vez. Grita furiosamente que sua força, ‘ainda que a última’, será sempre maior que a força do filho. E acrescenta, inesperadamente, que aquele que partira para o estrangeiro é um amigo íntimo, ‘um verdadeiro filho querido’, diferente deste que ficou em casa, que é um traidor, que quer se casar e quer abandonar um velho acabado. Fica evidente a situação de ‘duplo’ entre Georg e o amigo que viajou. O pai esbraveja que não admitirá a saída de Georg, que não permitirá que o amigo que está no estrangeiro seja vencido. ‘Mas o seu amigo não foi atraiçoado! Eu era o seu representante aqui no lugar’. 



Agora, o ‘duplo’ reaparece na relação pai/filho e estampa o segundo momento do fenômeno: o de mensageiro da morte. O pai surge como arauto da morte. Onde deveria estar a saída do mortífero universo materno, onde deveria encontrar a ponte para os vários universos possíveis da vida, o filho encontra a morte na palavra absoluta do pai.

Mas Georg é forte; tenta resistir. Percebe-se perseguido e fica atento, sente medo e grita: ‘comediante!’; mas logo se arrepende, morde a língua, rende-se à fúria do pai que esbraveja: ‘sim, sem dúvida interpretei uma comédia! Comédia! Boa palavra! Que outro consolo restava ao velho pai viúvo? Diga – e no instante da resposta seja ainda o meu filho vivo – o que me restava, neste meu quarto dos fundos, perseguido pelos empregados desleais, velho até os ossos? E o meu filho caminhava triunfante pelo mundo, fechava negócios que eu tinha começado, dava cambalhotas de satisfação e passava diante do pai com o rosto circunspecto de um homem respeitável! Você acha que eu não o teria amado – eu, de quem você saiu?’.

Secretamente, em pensamentos, Georg deseja que ele caia e se arrebente. O pai continua a imprecação: diz-se possuído da força da mãe e da força do amigo que está no estrangeiro. É o único momento em que há uma referência à mãe; morta desde o princípio, ela está desaparecida na palavra do pai. Então, este conclui que estão todos arruinados: a mãe está morta, o amigo do estrangeiro é um fracassado e ele mesmo, um velho decrépito. Apenas Georg está escapando da ruína; ‘é para isso que tem olhos!’, conclui o pai.  Georg proclama horrorizado: ‘então, você ficou à minha espreita!’. Nesse momento, o pai profere a sentença que Georg corre a cumprir e, ‘deslizando sobre uma superfície oblíqua’, salta no rio, que passa em frente da sua casa, gritando: ‘queridos pais, eu sempre os amei!’.

Concluindo: no princípio, estamos todos presos à mãe. Somos meros prolongamentos dela; ela nos alimenta, aquece, protege e acalenta. Estamos no paraíso. Somos um, até que, no cumprimento adequado de sua função, a mãe desvia seu olhar – que, até então, era só nosso.



No desvio do olhar da mãe, encontramos o outro, a saída, a falta, a castração, a força, a linguagem e a liberdade.

No desvio do olhar da mãe, a chegada do pai. Poderoso arauto da vida ou da morte. E aí, num cenário de pura estranheza, o roteiro da constituição do sujeito.

Como explica Freud e Kafka conta.  

Magda Maria Campos Pinto


BIBLIOGRAFIA:

1.   E. T. A Hoffmann, O homem de areia, in Contos Fantásticos do século XIX escolhidos por Ítalo Calvino, Companhia das Letras, SP, 2004.

2.   Franz Kafka, O Veredicto/Na colônia Penal, Editora Brasiliense, SP, 1991.

3.   Franz Kafka, Cartas aos meus amigos, Nova Época Editorial Ltda., SP, 1999.

4.   Franz Kafka, Diários, Editora Itatiaia, BH, 2000.

5.   Franz Kafka, Carta ao meu Pai, Editora Hemus, S.P, 1970.

6.   Franz Kafka, A metamorfose, Companhia das Letras, SP, 1997.

7.   Franz Kafka, O processo, Editor Victor Civita, RJ, 1979.

8.   Sigmund Freud, O estranho, Edição Standard Brasileira, vol.XVII, Imago Editora Ltda., RJ, 1976.

9.   Sigmund Freud, Além do Princípio do Prazer, Edição Standard Brasileira, vol.XVIII, Imago Editora Ltda., RJ, 1976.

10.               Sigmund Freud, Sobre o narcisismo: uma introdução, Edição Standard Brasileira, vol.XIV, Imago Editora Ltda., RJ, 1976.

11.              Donald Winnicott, Da pediatria à Psicanálise, Imago Editora, Rj, 1978.