segunda-feira, 29 de julho de 2013

UMA SEMANA COM BOCAGE 2



NA SOLIDÃO DO CÁRCERE

 
Quando na rósea nuvem sobe o dia
De risos esmaltando a Natureza,
Bem que me aclare as sombras da tristeza
Um tempo sem-sabor me principia:

 
Quando por entre os véus da noite fria
A máquina celeste observo acesa,
De angústia, de terror a imagens presa
Começa a devorar-me a fantasia.

 
Por mais ardentes preces, que lhe faço,
Meus ais não ouve o númen sonolento,
Nem prende a minha dor com tênue laço:

 
No Inferno se me troca o pensamento;
Céus! Porque hei-de existir, porque, se passo
Dias de enjoo, e noites de tormento?


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