segunda-feira, 15 de julho de 2013

UMA SEMANA COM GARCIA LORCA 2

 
O POETA PEDE A SEU AMOR QUE LHE ESCREVA
 
Amor de minhas entranhas, morte viva,
Em vão espero tua palavra escrita
E penso, com a flor que se murcha,
Que se vivo sem mim quero perder-te.
 
O ar é imortal. A pedra inerte
Nem conhece a sombra nem a evita.
Coração interior não necessita
O mel gelado que a lua verte.
 
 Porém eu te sofri. Rasguei-me s veias,
Tigre e pomba, sobre tua cintura
Em duelo de mordiscos e açucenas.
 
 Enche, pois, de palavras minha loucura
Ou deixa-me vier em minha serena
Noite da alma para sempre escura.




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