quarta-feira, 17 de julho de 2013

UMA SEMANA COM GARCIA LORCA 4



Tenho medo de perder a maravilha
De teus olhos de estátua, e o acento
Que de noite me põe na face
A solitária rosa de teu alento.
 
Tenho pensa de ser nesta margem
Tronco sem ramos; e o que mais sinto
É não ter a flor, polpa ou argila,
Para o verme de meu sofrimento.

 Se tu és o meu tesouro oculto,
Se és minha cruz e minha dor molhada,
Se sou o cão de teu senhorio,

 Não me deixes perder o que ganhei
E decora as águas de teu rio
Com folhas de meu outono alienado.


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