segunda-feira, 5 de agosto de 2013

DEVER DE CASA: A mulher 2



  “Vai fazer cinco anos já da pequena mancha de sangue. Tive um susto esquisito, quase licencioso. Voltaria a menstruar? Dionélia teve a Salete aos cinquenta e três anos. Eu, com mais de sessenta, certamente um caso da medicina, ‘mulher sexagenária engravida em inesperada e esplêndida primavera’. Exultava, recém-nascidos me tiram a razão, viro a mãe da doçura. Ridícula não fui, só patética, de qualquer jeito objeto de compaixão, o que recebi em medida bem calcada, uma compaixão acima de minhas fantasias mais delirantes.”

 In Quero minha mãe, Adélia Prado, Record, São Paulo, 2005.


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