sexta-feira, 2 de agosto de 2013

UMA SEMANA COM BOCAGE 6



INSÔNIA

 Já sobre o coche de ébano estrelado
Deu meio giro a noite escura e feia;
Que profundo silêncio me rodeia
Neste deserto bosque, à luz vedado!

 
Jaz entre as folhas Zéfiro abafado,
O Tejo adormeceu na lisa areia;
Nem o mavioso rouxinol gorjeia,
Nem pia o mocho, às trevas costumado:

 
Só eu velo, só eu, pedindo à sorte
Que o fio, com que está minh’alma presa
À vil matéria lânguida, me corte:

 
Consola-me este horror, esta tristeza;
Porque a meus olhos se afigura a morte
No silêncio total da Natureza.


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