domingo, 29 de setembro de 2013

APRENDIZ DE PRIMAVERA: A morte 22


QUERO ACABAR ENTRE ROSAS

Quero acabar entre rosas, porque as amei na infância.
Os crisântemos de depois, desfolhei-os a frio.

Falem pouco, devagar.
Que eu não oiça, sobretudo com o pensamento.

O que quis? Tenho as mãos vazias,
Crispadas flebilmennte sobre a colcha longínqua,

O que pensei? Tenho a boca seca, abstrata.
O que vivi? Era tão bom dormir.

 
In Fernando Pessoa, Poesia, Agir, poemas de Álvaro de Campos, RJ, 1970.

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