terça-feira, 10 de setembro de 2013

APRENDIZ DE PRIMAVERA: A MORTE 3


“Os atributos da vida foram, em determinada ocasião, evocados na matéria inanimada pela ação de uma força de cuja natureza não podemos formar concepção. Pode ter sido um processo de tipo semelhante ao que posteriormente provocou o desenvolvimento da consciência num estrato particular da matéria viva. A tensão que então surgiu no que até aí fora uma substância inanimada, se esforçou por neutralizar-se e, dessa maneira, surgiu a primeira pulsão: a pulsão a retornar ao estado inanimado. Aquela época, era ainda coisa fácil a uma substância viva morrer; o curso de sua vida era provavelmente breve, determinando-se sua direção pela estrutura química da jovem vida. Assim, por longo tempo talvez, a substância viva esteve sendo constantemente criada de novo e morrendo facilmente, até que influências externas decisivas se alteraram de maneira a obrigar a substância ainda sobrevivente a divergir mais amplamente de seu original curso de vida e a efetuar détours mais complicados antes de atingir seu objetivo de morte. Esses tortuosos caminhos para a morte, fielmente seguidos pelas pulsões de conservação, nos apresentariam hoje, portanto, o quadro dos fenômenos da vida. Se sustentarmos firmemente a natureza exclusivamente conservadora das pulsões, não poderemos chegar a nenhuma outra noção quanto à origem e ao objetivo da vida.”

In Sigmund Freud,  Edição Standard, vol. XVIII, Além do principio do prazer e outros trabalhos, Imago Editora Ltda, RJ, 1976.


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