quarta-feira, 2 de outubro de 2013

APRENDIZ DE PRIMAVERA: A morte 25



CANÇÃO PARA MINHA MORTE



Bem que filho do Norte,

Não sou bravo nem forte.
Mas, como a vida amei,
Quero te amar, ó morte,
- minha morte, pesar
Que não te escolherei.

Do amor tive na vida
Quanto amor pode dar:
Amei, não sendo amada,
E sendo amado, amei.
Morte, em ti quero agora
Esquecer que na vida
Não fiz senão amar. 

Sei que é grande maçada
Morrer, mas morrerei
- quando fores servida –
Sem maiores saudades
Desta madrasta vida
Que todavia amei.
 

In Antologia Poética, Manoel Bandeira, José Olympio Editora, RJ, 1978.

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