quarta-feira, 30 de outubro de 2013

GIORGIO AGAMBEN 4


“O bem – admitindo-se que no caso faça sentido falar de um bem – que os sobreviventes conseguiram pôr a salvo do campo não é, portanto, uma dignidade. Pelo contrário, que se possam perder dignidade e decência para além de qualquer imaginação, que ainda exista vida na degradação mais extrema – esta é a notícia atroz que os sobreviventes trazem do campo para a terra dos homens. E esta nova ciência torna-se agora a pedra de toque que julga e mede toda moral e toda dignidade. O Muçulmano, que é a formulação mais extrema da mesma, é o guardião do umbral de uma ética, de uma forma de vida, que começa onde acaba a dignidade. E Levi, testemunha dos submersos, fala em nome deles e é o cartógrafo desta e nova terra ethica, o implacável agrimensor da Muselmannland [ terra do muçulmano ].”


In O que resta de Auschwitz, Giorgio Agamben, SP, 2010.

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