sábado, 26 de outubro de 2013

IMRE KERTÉSZ 6



 Die Erinnerungen an seine Jugend in verschiedenen Konzentrationslagern lassen ihn bis heute nicht los: Imre Kertész
“Aproximo-me do final da minha fala, e podem me acusar de não terem ouvido de mim nenhuma previsão concreta, palpável. Na realidade, não entendo de política, de economia, nem de administração. Não sei como solucionar a questão dos refugiados, os problemas sociais, a questão do auxílio aos países mais pobres e aos homens de mais valor, não sei como criar um novo sistema de segurança. Entretanto, tenho certeza de uma coisa: a civilização que não declara seus valores com clareza ou despreza os valores conhecidos caminha para a extinção, para a derrocada definitiva. E outros expressarão esses valores, e na boca desses outros eles não serão mais valores, mas álibis para o poder sem limites, para o extermínio sem limites. Muitos citam hoje em dia um ‘neobarbarismo’; não esqueçamos que , quando os bárbaros tomaram Roma, Roma já havia se tornado bárbara por si mesma. Cito de novo as palavras do grande teólogo Rudof Bultmann: “O sentido da história abriga-se em toda as suas manifestações, e não se pode vislumbrá-lo como espectador, mas somente por meio de decisões responsáveis”. [ ... ] O que é o bem? O que é o mal? Como se deve viver? As palavras de Tchekhov, o grande escritor, ecoam em meus ouvidos, de um século de distância: “Não sei, juro pela minha alma, pela minha honra, eu não sei”. Mas como um eco às palavras do grande artista russo, ou talvez como um coroamento, permitam-me encerrar com a frase de Camus, a qual cabe tão bem aqui: “E eu ainda não falei da figura mais absurda, do homem que cria”.”

In A língua exilada, Imre Kertész, Companhia das Letras, SP, 2004.

 

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