segunda-feira, 25 de novembro de 2013

LIVROS 5




“A influência de Borges, particularmente do conto ‘A Biblioteca de Babel’, pode ser apreciada na construção de outra biblioteca famosa, aquela descrita por Umberto Eco em ‘O nome da rosa’. Temos de novo a biblioteca como labirinto, como microcosmo que conserva o conhecimento acumulado pelos homens (função que de fato era cumprida pelos monastérios da Idade Média). Mas não se trata mais do livro como súmula do universo ou chave para sua compreensão; é, antes mais nada um livro proibido, a parte desaparecida de Poética de Aristóteles que trataria do riso, manuscrito que o sherlockiano monge medieval Guilherme de Baskerville busca incansavelmente. Temos aqui a passagem para uma outra forma de se visualizar o livro: como tesouro maravilhoso, objetivo de personagens empenhados na procura do romance ou manuscrito perdido, leitmotiv de romances, com o de Eco, que tematizam a busca do conhecimento (conhecimento que pode ser visto como fonte de poder, ou como diria Nietzsche, como fonte de potência, chave para uma mudança interior)

In O Personagem Livro, Marco Antônio de Almeida, 2001.

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