segunda-feira, 11 de novembro de 2013

PASSEIOS LITERÁRIOS



NIKOS KAZANTZAKIS (1883-1957)

Kazantzakis nasceu em Creta, filho de um general severo, durante a guerra de Grécia com a Turquia. Destacou-se nos estudos escolares; não se sabe se pela tirania paterna se por uma vocação genuína para a intelectualidade. O fato é que se tornou um leitor ávido e um autoditada genérico. Em 1902 entrou para a Universidade de Atenas, tornou-se um jovem solitário, circunspecto e desesperado. Dedicou-se à escrita e, em 1907, entrou num concurso na Universidade com a peça Desponta o Dia, que pretendia denunciar hipocrisias e injustiças. Ganhou o prêmio, mas foi expulso da escola considerando-se a obra imoral e rebelde. Nikos recusou o prêmio. Iniciou  uma viagem pela Grécia visando o conhecimento, e em seguida seguiu para o Oriente. Instalou-se em Paris, tornou-se praticamente um morador da Biblioteca Sainte-Genenviève e começou a estudar Nietzsche. Frequentou a aulas de Henri Bergson e, mais tarde, confessou ter sofrido uma fundamental influência do pensador francês. Continuou suas viagens e adquiriu um eczema facial que não conseguia tratamento; foi então tratado por um discípulo de Freud, revelando ser a doença de causa psicológica e assunto para seu romance Ascese. Ela continuava uma grande produção de cartas, reflexões e meditações. Buscou respostas em Marx, visitou a Rússia mais de uma vez, foi tradutor de Goethe e Shakespeare. Conheceu um operário simples Georges Zorba que o convidava a uma vida leve e feliz, mas Nikos não o compreendia, e viveu duros anos de fome e privações durante a guerra, em Creta. Transferiu-se para Atenas em 1942 e transformou a vivência com Georges Zorba em romance; que foi muito popularizado com sua adaptação para o cinema, com um inesquecível Antony Quinn no papel principal. Já havia escrito sua versão da Odisséia e, agora, escreveu Prometeu. Com o fim da guerra, a Grécia entrou em guerra civil e Kazantzakis engajou-se na vida política como socialista. Não segue a carreira política e descobre que está doente com leucemia; uma mudança na condução política do país lhe impõe o exílio. Entrega-se totalmente ao trabalho e produz grandes obras, em especial, O Cristo Recrucificado. Morreu em 1957, na Alemanha, durante mais uma de suas viagens. Disse de si mesmo: “Durante toda a minha vida uma palavra não cessou de me tiranizar, de me açoitar: a palavra subir... minha alma inteira é um grito, e minha obra inteira é a interpretação deste grito’.
 
 


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