terça-feira, 12 de novembro de 2013

PASSEIOS LITERÁRIOS




EÇA DE QUEIRÓS (1845-1900)

Ser filho ilegítimo do delegado de Póvoa de Varzim foi marcante durante toda a sua vida e influenciou sua obra definitivamente. Tornou-se desde a infância um aluno exemplar, viveu em colégios internos até a entrada na faculdade de Coimbra em 1861. Era o tempo da disputa Romantismo versus Realismo. O primeiro, liderado pelo velho Castilho e o segundo pelo jovem Antero de Quental. O conflito ficou conhecido como Questão do Bom Senso e do Bom Gosto (título de uma carta de Antero a Castilho). A disputa adquiriu por vezes ataques pessoais, e duelos aconteceram. Eça não se posiciona claramente, talvez por um sentimento de insegurança e inferioridade. Após a formatura, segue para Lisboa, para exercer a advocacia segundo desejo do pai. Sem vocação para o Direito, começa a escrever para jornais. Em 1867, surgiu em Évora um novo jornal, oposicionista e independente, ocupado com a corrupção generalizada. Havia grande uniformidade em todas as seções do jornal, das questões econômicas, da política estrangeira à crítica literária, dos problemas da agricultura ao comércio exterior. Logo se descobriu a razão: todos os artigos eram de um único redator: José Maria Eça de Queiroz. O projeto durou pouco tempo, e Eça retornou à Lisboa. Retomou relações com Antero de Quental e Ramalho Ortigão que se reconciliara com Antero aderindo à escola realista. Foi ao Egito como correspondente jornalístico para a inauguração do canal de Suez. Em 1870, o Diário de Notícias começou a publicação de ‘O MISTÉRIO DA ESTRADA DE SINTRA’, em co-autoria com Ramalho Ortigão, história que mexeu com a sociedade local.  Foi nomeado cônsul em Havana, e não se adaptou ao trabalho burocrático. Provocado por um acontecimento consigo mesmo, que lhe despertou antigas memórias sombrias, escreveu ‘O CRIME DO PADRE AMARO’,  que silenciou a crítica pela ousadia do tema e novidade narrativa: a descrição rigorosamente realista. Em 1874, conseguiu sua transferência para a Grã-Bretanha e volta a sentir-se inspirado. O tema instigador é o mesmo: o instinto, a moral, as convenções, o sexo. Aparece ‘O PRIMO BASÍLIO’, grande sucesso de público e muito criticado pelos escritores, inclusive Machado de Assis. Seguem-se ‘OS MAIAS’, ‘O MANDARIM’, ‘A RELÍQUIA’. Casou-se com a portuguesa Emília de Resende e foi nomeado cônsul em Paris. Passou a uma vida tranquila, mais familiar e continuou produzindo literatura. Com a herança da esposa, tornou-se rico. Seguiu-se o romance ‘A ILUSTRE CASA DE RAMIRES’,  uma obra patriótica, como as demais desse tempo. Eça de Queiroz, que mudara muito ao longo de sua vida, morreu em Paris em 1900.
 
 

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