sábado, 9 de novembro de 2013

PASSEIOS LITERÁRIOS



 Portrait of Jonathan Swift.

JONATHAN SWIFT (1667-1745)

Em 1729, publicou um trabalho com o curioso título: ‘Modesta proposta para impedir que os filhos dos pobres da Irlanda pesem sobre seus pais ou sobre o país. ’ A proposta baseava-se em reservar uma quantidade de crianças para procriação e o resto para ‘para o progresso do país sob forma de comida’. A ironia violenta foi muito mal aceita e o autor tornou-se pivô de eterna polêmica.  O nascimento de Swift aconteceu em Dublin, já cercado por mal-entendidos; a família havia fugido da Inglaterra perseguida pela ditadura de Cromwell; e o marido morreu ainda durante a gestação. Quando o filho nasceu, dizia-se que era filho de John Temple. O fato é que com um ano de idade foi levado secretamente para a Inglaterra; e logo depois trazido de volta à Irlanda e entregue aos cuidados do Godwin, cunhado da mãe. Foi um aluno rebelde, desafiador e só se destacou pelas punições que recebeu. Fugiu da Irlanda e foi encontrar-se com a mãe em Leicester onde passou a trabalhar para Sir William Temple, estadista e escritor de prestígio. Apareceu Stella (Ester Johnson) em sua vida, uma criança de oito anos, possivelmente sobrinha de Jonathan, e que foi amada por ele até o fim de sua vida. Doutorou-se em Teologia em Oxford e tornou-se pastor em Kilrooth, na Irlanda. Em pouco tempo voltou para Leicester e viu-se no meio dos debates entre os partidos conservador e modernista; iniciou a publicação de uma série de artigos críticos, conhecida como ‘A batalha dos livros’. Paralelamente escrevia o famoso ‘Diário a Stella’, uma espécie de diálogo mental onde narrava os acontecimentos gerais, opinava sobre todas as coisas e dava conselhos. Swift trabalhava para William Temple. Desde, então, a sátira, a ironia amarga e o pessimismo marcaram definitivamente sua obra.  Voltou para a Irlanda com a morte de Sir William, e a menina Stella também foi levada para viver perto dele; começou uma grande produção satírica e, juntamente com outros autores de mesmo pensamento e estilo, ganhou grande popularidade, especialmente pelas publicações em ‘The Spectator’, um dos primeiros periódicos ingleses. Em 1725, iniciou a escrita de ‘VIAGENS DE GULLIVER’, que se tornou grande sucesso com o público infantil, mas do qual disse em carta a um amigo: ‘a minha pretensão era agredir o mundo e não diverti-lo’. Dizia ainda que gostaria de desmascarar o falso conceito do homem como animal racional que, embora capaz de sê-lo, não se propõe; declara-se inimigo da humanidade e amigo do indivíduo. “Odeio este animal que se chama homem, embora ame de todo coração a Pedro ou a João”. A morte de Stella piorou-lhe o humor, mas continuou escrevendo poemas e ensaios. Morreu em 1745, surdo (desde a infância apresentava episódios de surdez), solitário e louco; foi enterrado na Catedral de São Patrício, em Dublin. Em seu testamento, havia incluído um benefício ao asilo para loucos. Escreveu a própria lápide: “Aqui Jaz o corpo de Jonathan Swift, doutor em teologia e deão desta catedral, onde a colérica indignação não poderá mais dilacerar-lhe o coração. Segue, passante, e imita, se puderes, esse que se consumiu até o extremo pela causa da Liberdade”.

 

File:Jonathan Swift signature.svg


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