domingo, 24 de novembro de 2013

REVISITAÇÕES LITERÁRIAS:





(...)
- Não. Você nunca teve medo ao ver as pessoas morrendo?
- Tive – respondeu após um momento de silêncio.
- E o foi que você  fez?
- Fiz o que me ensinaram: tentei descobrir qual a parte de mim que tinha medo e por quê.
- E qual delas estava amedrontada?
- Esta. – Dizendo isso, apontou para a sua boca aberta. Aquela que fala e que Vijaya chama de ‘Pequena Miss Cibber’. A que está sempre falando das coisas desagradáveis de que me lembro e todas as grandiosas e impossíveis que penso poder realizar. Esta é a que me apavora.
- Por quê?
- Creio que isso acontece pelo fato de ela estar sempre falando em altas vozes ou para si mesma das coisas terríveis que talvez lhe aconteçam. Mas existe uma outra que não tem medo.
- Qual delas?
- Aquela que não fala, apenas olha, escuta e sente o que lhe vai no íntimo e que, algumas vezes e de modo súbito, vê toda a beleza das coisas – acrescentou Mary Sarojini – Estou dizendo dizendo Ela vê a beleza durante todo o tempo, mas Eu nada vejo a não ser que ela desperte a minha atenção. E é nesse momento que, de repente, passo a ver tudo lindo! Tudo belo, muito belo!... mesmo a sujeira dos cães. Dizendo isso, apontou para um enorme exemplar que se encontrava por perto. (...)

In A ILHA,  Aldous Huxley, Civilização Brasileira, RJ, 1974.

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