terça-feira, 31 de dezembro de 2013

LEMBRANÇAS VI

 


“Assim tudo acaba em silêncio e poesia...”

Fernando Pessoa, Carta a A. Casais Monteiro, 13/jan/1935, in Fernando Pessoa, Ficções 
do Interlúdio/1, Poemas completos de Alberto Caeiro, Editora Nova Fronteira, RJ, 1980.

 

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

LEMBRANÇAS V



“É opinião unânime que não há estado comparável àquele que nem é sono nem vigília, quando, desafogado o espírito de aflições, procura algum repouso às lides da existência”.

In Pensamentos de Machado de Assis, Gentil de Andrade, Civilização Brasileira, RJ, 1990.

domingo, 29 de dezembro de 2013

LEMBRANÇAS IV

File:Palácio de São Bento - A "Prudência" .jpg 



“Entre a prudência discreta, e a cega confiança não é lícito duvidar, a escolha está decidida nos próprios termos da primeira”.

In Machado de Assis, Memórias de um Frasista, Ângela Canuto, Lemos Editorial, SP, 2002.

sábado, 28 de dezembro de 2013

LEMBRANÇAS III



Capítulo V


Da educação no governo republicano


É no governo republicano que se precisa de todo o poder da educação. O temor dos governos despóticos nasce espontaneamente entre as ameaças e os castigos; a honra das monarquias é favorecida pelas paixões e as favorece, por sua vez; mas a virtude política é uma renúncia a si mesmo, que é sempre algo muito difícil.

Podemos definir essa virtude: o amor às leis e à pátria. Este amor, que exige que se prefira continuamente o interesse público ao seu próprio interesse, produz todas as virtudes particulares; elas consistem apenas nesta preferência.

Este amor está singularmente ligado às democracias. Só nelas, o governo é confiado a cada cidadão. Ora, o governo é como todas as coisas do mundo; para conservá-lo, é preciso amá-lo.

Nunca se ouviu dizer que os reis não amassem a monarquia e que os déspotas odiassem o despotismo.

Assim, tudo depende de introduzir este amor  na república; e é em inspirá-lo que a educação deve estar atenta. Mas existe um meio seguro para que as crianças possam tê-lo: que também os pais o tenham.

Normalmente, temos o poder de transmitir nossos conhecimentos a nossos filhos; temos o poder ainda maior de transmitir-lhes nossas paixões.

Se isto não acontece, é porque o que foi feito na casa paterna foi destruído pelas impressões de fora.

Não é a nova geração que degenera; ela só perde quando os adultos já estão corrompidos”.


In O Espírito das Leis, Montesquieu, Martins Fontes, SP, 1993.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

LEMBRANÇAS II

Homenaje a Paul Klee Oil Canvas Nude Paintings


CARTÕES DE NATAL

I
A graça das formas
Na alegria da cor
Do céu mágico de Paul Klee:
O Natal vem até mim, anúncio
De que o mundo se faz e refaz
Como brinquedo de garoto meditativo,
Não à maneira dos deuses criadores
Da angústia, do tédio, da morte.
Entre dois silêncios irmãos
Nesta manhã do Tempo,
Os dias sejam guardados
Em cofre de serenidade sob a vigilância
Do pássaro que decifra
O segredo das horas perfeitas
E proclama a infinita
Invenção da Vida.

II
Este leãozinho que Fernando
Goldgaber envia ao meu zôo
E que, alegre, vem desejando
Felicidade no seu vôo,

Mostra que o bicho mais feroz
É, no fundo, uma boa-praça.
Aproveitemos todos nós
Sua lição de amor e graça.

III
Para Stella, um janeiro
Bem azul e fagueiro,
Um fevereiro, um março
Com muito verso esparso
Chegando até abril
Que pavana gentil
E um dulciverde maio
(peço a Deus: requintai-o)
E junho, julho, agosto
Vividos bem a gosto,
E o que de bom me lembro
Tenha-o, claro, em setembro,
Como flor em outubro,
E se inda mais descubro
De venturas-diamantes,
Nos dois meses restantes
Seja tudo de Stella,
Verso puro, almabela.

In Carlos Drummond de Andrade, Obra Completa, Aguilar, RJ, 1967.

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