quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

DE COMEÇOS 2

 


“Em outras palavras, é preciso acreditar no progresso. Esta talvez seja uma de minhas últimas ingenuidades.”


“Em todo o caso, o mundo parece feio, mau, e sem esperança. Esse seria o desespero de um velho que já morrer por dentro. Mas eu resisto...”


“E depois existe essa ideia de que o escritor não merece esse dinheiro. O escritor é um personagem suspeito. Ele não trabalha, mas ganha dinheiro e ele pode, até mesmo, se quiser, ser recebido pelo rei da Suécia. Já é escandaloso. Se, ainda mais, ele recusa aquele dinheiro que não mereceu, é um convencido. Considera-se como natural que um banqueiro tenha dinheiro e não o dê. Mas que um escritor possa recusá-lo, isso não é admissível.”


“Tudo isso é o mundo do dinheiro, e as relações com o dinheiro são sempre falsas. Eu recusei vinte e seis milhões e me condenam, mas ao mesmo tempo me explicam que meus livros venderam mais porque as pessoas vão dizer: “Quem será esse leviano que cospe sobre uma soma tão elevada?”. Meu gesto vai, então, me dar lucros. É absurdo, mas eu não posso fazer nada.”

In O testamento de Sartre, L&PM Editores, Portp Alegre, 1980.

 

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