sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

DE COMEÇOS 3:



 “2


A soma da sabedoria humana não está contida em nenhuma linguagem e nenhuma linguagem em particular é CAPAZ de exprimir todas as formas e graus da compreensão humana.

Esta é uma doutrina amarga e pouco agradável ao paladar. Mas não posso omiti-la. De vez em quando as pessoas desenvolvem quase que uma espécie de fanatismo para combater as idéias ‘fixas’ numa determinada linguagem. Esses são, genericamente falando, ‘os preconceitos da nação’ (qualquer nação).

Climas diferentes e sangues diferentes têm necessidades diferentes, diferentes espontaneidades, diferentes aversões, diferentes relações entre diferentes grupos de impulso e retraimento, diferentes conformações de garganta, e todas essas coisas deixam seus traços na linguagem e a tornam mais ou menos apta para certas comunicações e certos registros.

A ambição do leitor pode ser medíocre e a ambição de dois leitores não há de ser idêntica. O professor só pode ministrar os seus ensinamentos àqueles que mais querem aprender, mas ele pode sempre despertar os seus alunos com um ‘aperitivo’, ele pode ao menos fornecer-lhes uma lista das coisas que vale a pena aprender em literatura ou num determinado capítulo dela.

O primeiro pântano da inércia pode ser devido à mera ignorância da extensão do assunto ou ao simples propósito de não se afastar de uma área de semignorância. A maior barreira é erguida, provavelmente, por professores que sabem um pouco mais que o público, que querem explorar sua fração de conhecimento e que são totalmente avessos a fazer o mínimo esforço para aprender alguma coisa mais."

In ABC da literatura, Ezra Pound, Cultrix, SP, 2006.

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