sábado, 4 de janeiro de 2014

DE COMEÇOS 4

 


“Ninguém traz consigo coisa alguma, nem livros nem cadernos. Nenhum aluno é obrigado a fazer dever de casa. Além de virem de mãos vazias, os alunos não são obrigados a decorar lições, sequer a aula do dia anterior. Eles trazem apenas a si mesmos, sua natureza receptiva, e a certeza de que hoje a escola será tão alegre quanto ontem [ ]. Ninguém jamais é repreendido por se atrasar. Eles se sentam onde querem: bancos , mesas, peitoris das janelas, poltronas. O horário prevê quatro aulas antes do jantar, que às vezes na prática se tornam três ou duas, e que podem ser sobre assuntos bastante diferentes [ ]. Na minha opinião essa desordem externa é útil e necessária, por mais estranha e inconveniente que possa parecer ao professor [ ]. De início essa desordem, ou ordem livre, nos assusta, porque fomos educados de outra maneira e estamos acostumados a algo bem diferente. E em segundo lugar, neste como em muitos casos semelhantes, a coerção só é usada por causa de pressa ou falta de respeito pela natureza humana [  ].”

(Tolstói, janeiro de 1862, sobre o cotidiano da escola em Iásnaia Poliana, na primeira edição da revista da escola]

In Tostói, a biografia, Rosamund Bartlett, Editora Globo, SP, 2013.

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