sábado, 26 de abril de 2014

Gabo 9

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“Às quatro da tarde a brisa se acalmou. Como não via nada mais que água e céu, como não tinha qualquer ponto de referência, mais de duas horas se passaram antes que eu percebesse que a balsa estava avançando. Na realidade, desde o momento em que me vi dentro dela, começou a se movimentar em linha reta, empurrada pela brisa, a uma velocidade maior do que a que eu poderia lhe imprimir como os remos. Entretanto, não tinha a menor idéia sobre a minha direção nem posição. Não sabia se a balsa avançava para a costa ou para o interior do Caribe, mas essa última hipótese me parecia a mais provável, pois sempre achei impossível que o mar lançasse à terra alguma coisa que nele tivesse penetrado 200 milhas, muito menos se essa coisa era algo tão pesado como um homem numa balsa. (...)
No princípio contava os dias recapitulando os acontecimentos: o primeiro dia, 28 de fevereiro, foi o do acidente. O segundo, o dos aviões. O terceiro foi o mais...”.

In Relato de um náufrago, Gabriel García Marquez, Record, SP, 1970.

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