terça-feira, 29 de abril de 2014

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Teatro Grego
“Nas sociedades arcaicas, o conto oferece à comunidade um terreno de experimentação em que,  pela voz do contador, ela se exerce em todos os confrontos imagináveis, disto decorre sua função de estabilização social, a qual sobrevive por muito tempo às formas de vida ‘primitiva’ e explica a persistência das tradições narrativas orais, para além das transformações culturais: a sociedade precisa da voz de seus contadores, independentemente das situações concretas que vive. Mais ainda: no incessante discurso que faz de si mesma, a sociedade precisa de todas as vozes portadoras de mensagens arrancadas à erosão do utilitário: do canto, tanto quanto da narrativa. Necessidade profunda, cuja manifestação mais reveladora é, sem dúvida, a universalidade e perenidade daquilo que nós designamos pelo termo ambíguo de teatro.”

In Introdução à poesia oral, Paul Zumthor, Humanitas, Editora UFMG, BH, 2010

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