domingo, 27 de abril de 2014

Sugestão:

 



“Recordo-me dele (eu não tenho do direito de pronunciar esse verbo sagrado, só um homem na Terra teve esse direito e esse homem morreu) segurando uma sombria flor-da-paixão, vendo-a como ninguém a viu, ainda que a olhasse do crepúsculo do dia até o da  noite,  por toda uma vida inteira. Recordo-me dele, a cara de índio taciturna e singularmente remota, atrás do cigarro. Recordo (creio) suas mãos afiladas de trançador. Recordo, perto daquelas mãos, uma cuia de mate, com as armas da Banda Oriental; recordo na janela da casa uma esteira amarela, com uma vaga paisagem lacustre. Record claramente a voz...”

In Junes, o memorioso, in Ficções, Jorge Luis Borges, Companhia das Letras, SP, 2013

http://2.bp.blogspot.com/_E2HZs6lij0Q/TDNXLsHC5gI/AAAAAAAAAQ0/71OxfYmOFdE/s1600/Fic%C3%A7%C3%B5es,+Jorge+Luis+Borges.jpg

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