sábado, 31 de maio de 2014

É lindo....

SAWABONA!!!
Há uma "tribo" africana que tem um costume muito bonito.
Quando alguém faz algo prejudicial e errado, eles levam a pessoa para o centro da aldeia, e toda a tribo vem e o rodeia. Durante dois dias, eles vão dizer ao homem todas as coisas boas que ele já fez.
A tribo acredita que cada ser humano vem ao mundo como um ser bom. Cada um de nós desejando segurança, amor, paz, felicidade. Mas às vezes, na busca dessas coisas, as pessoas cometem erros.
A comunidade enxerga aqueles erros como um grito de socorro.
Eles se unem então para erguê-lo, para reconectá-lo com sua verdadeira natureza, para lembrá-lo quem ele realmente é, até que ele se lembre totalmente da verdade da qual ele tinha se desconectado temporariamente: "Eu sou bom".
Sawabona Shikoba!
SAWABONA, é um cumprimento usado na África do Sul e quer dizer:
"Eu te respeito, eu te valorizo. Você é importante pra mim"
Em resposta as pessoas dizem SHIKOBA,que é:
"Então, eu existo pra você"
 
p.s: obrigada, Clarissa.

COPA 5: futebol levado a sério

 



“A saturação do tempo cotidiano pelo futebol é o índice de um processo maior. Ele acompanha, pode-se acrescentar, a passagem da dominância do trabalho à do labor, nos termos formulados por Hannah Arendt em A condição humana: o trabalho reverte na produção de obras duráveis que contrastam com a mortalidade da nossa condição, e tem no descanso um momento de suspensão desperdiçante; o labor é uma atividade que se consome ao se reproduzir, e que se confunde com o próprio ritmo incessante da vida orgânica. Se o trabalho alterna com o descanso, o labor não conhece descanso, que nele toma a forma específica do lazer. O lazer não é uma suspensão do tempo do trabalho mas a recarga cotidiana que dá suportabilidade ao labor sem obra, fazendo-se seu duplo. A repetição compulsória do futebol participa do processo pelo qual algo de insuportável no mundo (o labor sem obra), a ser mitigado dia a dia sob a forma de mercadoria continuamente reposta, repõe de forma viciosa, com sua avalanche ad infinitum e ad nauseam, o insuportável no mundo.

É dessa forma que a lógica empresarial tecnocientífica e multinacional intervém sobre a ‘lógica dialética’ e a ‘lógica da diferença’, que comandariam o jogo propriamente dito dentro do campo: contendo-o exaustivamente no círculo estreitante de seu aparato tecnocientífico e mercadológico-publicitário, levado pelo tempo implacavelmente cerrado dos seus calendários, e alimentando-se da energia dos jogos, a ponto de exauri-la.”

In Veneno Remédio, o futebol e o Brasil, José Miguel Wisnik, companhia das Letras, SP, 2008.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

A ESCRITA: segundos estudos 4

 



“Volviendo a la locura: creo que tanto el artista como el loco tienen algo en común: que la realidad no les gusta o la repelen o la sufren hasta un grado insoportable. Y así el demente cede, su edificio mental se derrumba, y quedan únicamente escombros de la antigua realidad, en los que se mueve incoherentemente; mientras que con esos fragmentos el artista es capaz de construir otra realidad. Una obra de arte es un cosmos, un orden, que es precisamente lo que el demente es incapaz de lograr. (…) Es muy probable. Los teólogos sólo pueden ofrecernos pruebas racionales; teología significa literalmente ‘ciencia de Dios’. Eso es siempre refutable como lo es cualquier verdad que se busque mediante el instrumento de la lógica y que pertenece a una realidad alógica o metalógica. En cambio, quién puede dudar de las visiones de seres como Dante, Blake, Milton, Rimbaud, Dostoievski, Kafka: ya he dicho que si hay algo verdadero en la existencia de un hombre es el sueño. También las visiones de los grandes artistas son verdades absolutas.” 

In Entre la letra y la sangre, Conversaciones con Carlos Catania, Ernesto Sabato, Seix Barral, Buenos Aires, 2003.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

COPA 4: futebol levado a sério

Bola 



“A palavra campo designa um terreno extenso e não acidentado, e, para além de sua acepção agrícola, o espaço capaz de tornar-se o teatro de um jogo de forças, sugerido pela palavra alemã Kampf, da mesma raiz, significando luta, e pela palavra campeão, o lutador. O campo está a um passo da arena e guerra. Mas uma arena que se presta mais à visibilizaçao do combate, isto é, à sua espetacularização e sua simbolização, do que à sua realização literal, quando ele não se destina expressamente a fins agressivos e passa a decidir, num tira-teima ritual com o outro, sob o olhar de outros, quem detém, por um momento ritualizado, o domínio de uma modalidade. (...) É essencial entender, também , que , ao dar forma lúdica ao mito da concorrência universal, o futebol criou o campo simbólico onde essa concorrência muda de sentido – tanto socialmente, já que apropriada por agentes que não teriam oportunidade no campo da competição econômica (operários ingleses ou brasileiros pobres, por exemplos), quanto simbolicamente, já que a concorrência se dá em código corporal e não verbal, irradiante de sentidos não determinados, desfrutando de um estatuto correspondente ao da autonomia da obra de arte.” (...) De qualquer modo, dizia Pasolini, o delírio do gol é puramente poético, chegue-se a ele por uma via ou por outra, e, como tal, é o momento e o lugar em que a diferença entre prosa e poesia se desfaz, já que ‘todo gol é sempre uma invenção, é sempre uma subversão do código: todo gol é inexorabilidade, fulguração, estupor, irreversibilidade”. 

In Veneno Remédio, O futebol e o Brasil, José Miguel Wisnik, Companhia das Letras, 2008.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

A escrita: segundos estudos 3

 



“ – Si, puede ser. Em general, sabe? Pienso que pertenezco a una raza en extinción, creo en los cafés, creo en el diálogo, creo en el arte, creo en la dignidade de la persona, creo em la libertad. Quienes y cuántos creen todavía en esas paparruchadas? El diálogo ha sido reemplazado por el insulto, la libertad por el secuestro y las cárceles políticas, de un signo o del signo inverso. Qué diferencia hay entre una dictadura policial de derecha y una de izquierda? Acaso hay torturas malas y torturas beneficiosas? Qué atrasado soy, se da cuenta? Creo en la gris y mediocre democracia, la única que en definitiva permite pensar libremente y preparar una sociedad mejor…

In Entre la letra y la sangre, conversaciones con Carlos Catania, Ernesto Sabato, Seix Barral, Buenos Aires, 2008.

 

terça-feira, 27 de maio de 2014

COPA 3: futebol levado a sério



Campos de futebol society para alugar em São Paulo 
 
“Mas a afirmação da consciência crítica, quando supostamente imune aos efeitos do inconsciente, e acima da alienação da massa, tem dificuldade de entender que, mais do que o campo deserto da vida vazia, o futebol é um campo de jogo em que se confronta o vazio da vida, isto é, a necessidade premente de procurar-lhe sentido. Procurar, aqui, na acepção ativa que inclui também encontrar, emprestar e inventar sentido – ali onde ela falta como dado, mas sobra como disposição a fazê-lo acontecer. Como na dança e na música, o jogo  é um perseguidor e um procurador do sentido que falta – um representante do que não está, sem que, com isso, se pretenda dá-lo com o presente. Essa ‘produção de presença’, evidentemente não intencionada e não formulada nesses termos, se dá numa temporalidade própria, em ato, com meios elementares e concretos, e se repõe porque não se esgota, na sua instantaneidade, na sua imediatez e na indeterminação aberta de seus conteúdos.  (...) Para quem a vida se alimenta, no entanto, na sua multiplicidade aberta, de uma margem irrecusável de desejo e acaso – em uma palavra, de jogo - , o futebol pode ser objeto simultâneo de paixão e desafio intelectual. Essa disposição não é muito diferente daquela que é pedida pela arte – que supõe certa dose de aceitação da violência simbólica e da gratuidade.”

In veneno remédio, O futebol e o Brasil, José Miguel Wisnik, Companhia das Letras, 2008.