segunda-feira, 12 de maio de 2014

MÃES & MÃES




ÍNTIMO

Humberto de Campos

Minha mãe! Minha mãe! Tu, que adivinhas
Esta mágoa amaríssima que eu canto,
Tu, que trazes as pálpebras de pranto
Cheias, tão cheias como eu trago as minhas;

Tu, que vives em lágrimas, e tinhas
a vida, outrora, tão feliz, enquanto
Deste teu filho, que tu queres tanto,
Todas mágoas serenando vinhas;

Tu, que do astro do bem segues o brilho,
Pede ao Deus que, apesar das tuas dores,
Ainda persiste a castigar teu filho,

Que eu não morra a sofrer, como hoje vivo,
Esta angústia de uma árvore sem flores
E esta mágoa de pássaro cativo.

In Livro dos Poemas, Organização de Sergio Farco. L&PM Editores, PA, 2009.

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