sexta-feira, 2 de maio de 2014

Por nós: ARTAUD

Antonin Artaud(© Bibliothèque de France/Gallimard) 



“Todas as nossas ideias sobre a vida devem ser retomadas numa época em que nada adere mais à vida. E esta penosa cisão é a causa de as coisas se vingarem, e a poesia que não está mais em nós e que não conseguimos mais encontrar nos reaparece de repente, pelo lado mau das coisas; nunca se viram tantos crimes, cuja gratuita estranheza só se explica por nossa impotência para possuir a vida.
Se o teatro é feito para permitir que nossos recalques adquiram vida, uma espécie de poesia atroz se expressa através dos atos estranhos em que as alterações do fato de viver demonstram que a intensidade da vida está intacta e que bastaria dirigi-la melhor.
Por mais que exijamos a magia, porém, no fundo temos medo de uma vida que se desenvolvesse inteiramente sob o signo da verdadeira magia.”

In O teatro e seu duplo, Antonin Artaud, Martins Fontes, RJ, 2012

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