domingo, 12 de outubro de 2014

ESTUDANDO: BORGES ETERNO, para Ana 2




O INSTANTE

Onde estarão os séculos, onde o sonho
de espadas que os tártaros sonharam,
onde os fortes muros que alhanaram,
onde a Árvore de Adão e o outro Lenho?
O presente está só. A memória
erige o tempo. Sucessão e engano
é a rotina do relógio. O ano
não é menos vão que a vã história.
Entre a alva e a noite há um abismo
de agonias, de luzes, de cuidados;
O rosto que se olha nos gastos
espelhos da noite não é o mesmo.
O hoje fugaz é tênue e é eterno;
Outro Céu não esperes, nem outro Inferno.

In BORGES, Nova Antologia Pessoal, Editora Sabiá, RJ, 1977.

Nenhum comentário:

Postar um comentário