segunda-feira, 27 de outubro de 2014

SÉRIE 'QUE A FÉ NÃO CUSTUMA FAIÁ' 4



 
DAS ELEIÇÕES BRASILEIRAS ou DO TEMPO DA DELICADEZA

Há muito (muito) tempo atrás minha consciência política foi precocemente despertada pelos gritos ‘ABAIXO A DITADURA’, ‘FORA A REPRESSÃO’.  Assim passei meu tempo de aprendizado primário: estudei, fui às ruas, lutei, perdi amigos (incontáveis) nas arenas do ódio, vi tombarem inimigos; sofri e cheguei ao tempo do aprendizado médio: ‘DIRETAS JÁ’, ‘ANISTIA AMPLA, GERAL E IRRESTRITA’. Continuei lutando, estudando e aprendendo. Passei por provas difíceis e dificílimas: confisco das poupanças, impeachment do presidente da república, explosão inflacionária, crescimento da população miserável. Mas continuei e passei. Passei. Comecei, humildemente, meu ensino superior. Não tem sido fácil. Tenho doutorados, meros papeis. Mas, sou, finalmente, um aprendiz. Estou feliz por isso. Muito feliz.
Cheguei ao tempo do DIÁLOGO. Ao tempo em que não cabem mais gritos desesperados de ‘FORA BELTRANO’, ‘ABAIXO SICRANO’. Ao tempo da igualdade de direitos. Direito à voz. Não sou dos mais crentes em números, mas sei que os números são os modos mais populares de leitura da realidade. Então, vejamos: os números dizem que, finalmente, conquistamos a igualdade das diferenças. Respeitemos, portanto, essa construção tão lenta e dolorosamente edificada.  Não há motivo para euforia, tampouco para depressão. Há motivos de atenta responsabilidade.  Responsabilidade de adultos, de quem aprendeu a conduzir-se.
Eu teria muito para contar do longo e laborioso percurso de construção da minha cidadania brasileira. Mas não acho necessário. Gosto do jogo para frente. Vou apenas chamar a atenção para o maravilhoso símbolo chamado MINAS GERAIS. O primeiro grito de brasilidade soou entre essas montanhas. Mais que nunca (MAIS QUE NUNCA!), lembremo-nos dos poetas. Os poetas sempre chegam primeiro: ‘MINAS SÃO MUITAS’. 
Peço-lhe licença, meu amado Guimarães Rosa, para prosseguir: ‘AGORA, BRASIL SÃO MUITOS’.
Ao trabalho, minha gente! Em teu seio, oh, liberdade! 

Magda Maria Campos Pinto

Nenhum comentário:

Postar um comentário