sexta-feira, 7 de novembro de 2014

De notas do capítulo II: A redação



 
 
154- Schubart fala de uma representação egípcia onde se vêem várias pessoas ocupadas em escrever um ditado. Sua conclusão: o que então se fazia deve ter-se repetido na época helenística, apesar do silêncio das testemunhas, do número reduzido de erros causados pela incompreensão do som e do grande número dos causados pela má leitura do original. Será que deveríamos nos obstinar em reter uma teoria tão mal atestada: parece-me que a única posição razoável é a de Dain: “Além de nenhum documento com figuras, nenhum texto escrito indica a existência de copista tomando nota do ditado, é necessário reconhecer que o procedimento de cópia de um modelo já escrito é o único a permitir a caligrafia, a deixar àquele que escreve o tempo de ordenar a paginação e o alinhamento, e a permitir a ilustração.

180- Não estamos aptos a falar das interpolações posteriores devidas a essas anotações à margem.

186- Jahn pretende que, no fim do paganismo (século IV), a maioria dos corretores profissionais tenha sido nobre. As assinaturas indicam as capitais (Roma, Constantinopla, Ravena) como centros de correção, portanto, de cópia. Apesar da antiga aversão pelos trabalhos servis, as classes elevadas se sentiam honradas corrigindo as ‘provas’. (grifo meu) 
 

in A técnica do livro segundo São Jerônimo, Dom Paulo Evaristo Arns, CosacNaify, SP, 2007.

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