domingo, 2 de novembro de 2014

DE PALAVRAS:



ROMANCE LIII ou DAS PALAVRAS AÉREAS

Ai, palavras, ai, palavras,
Que estranha potência, a vossa!
Ai, palavras, ai, palavras,
Sois de vento, ides no vento,
No vento que não retorna,
E, em tão rápida existência,
Tudo se forma e transforma!

Sois de vento, ides no vento,
E quedais, com sorte nova!

Ai, palavras, ai, palavras,
Que estranha potência, a vossa!
Todo o sentido da vida
Principia à vossa porta;
O mel do amor cristaliza
Seu perfume em vossa rosa;
Sois o sonho e sois a audácia,
Calúnia, fúria, derrota...

A liberdade das almas,
Ai! Com letras se elabora...

 (...)”

In Romanceiro da Inconfidência, Cecília Meireles, Coleção Folha, Grandes escritores brasileiros, SP, 2008.

Nenhum comentário:

Postar um comentário