segunda-feira, 10 de novembro de 2014

ESTUDANDO OS PRIMÓRDIOS DO LIVRO: ORÍGENES DE ALEXANDRIA

 
1ª PARTE:



ORÍGENES (185-253)

Nasceu provavelmente em Alexandria; era apelidado pelos contemporâneos de Adamantino (homem de aço) por sua dedicação ao trabalho. Santo Atanásio chamava-o Verdugo do trabalho. Foi educado pelo pai, Leônidas, homem culto, mártir durante a perseguição de Severo Sétimo (202). Foi discípulo de Clemente de Alexandria a quem substituiu na escola de catequese, por ordem do bispo Demétrio, quando tinha apenas 18 anos. Depois da morte do pai, cujos bens foram confiscados, viveu provavelmente da venda de manuscritos pagãos. Em momento de crise religiosa levou ao pé da letra o evangelho de Mateus 19, 12 (Porque há eunucos que assim nasceram do ventre da mãe; e há eunucos que foram castrados pelos homens; e há eunucos que se castraram a si mesmos, por causa do reino dos céus. Quem pode receber isto, receba-o”). Arrependeu-se depois e sua instabilidade foi a justificativa de Demétrio para negar-lhe o sacerdócio. Por volta de 212 fez uma viagem a Roma para conhecer a ‘antiquíssima igreja dos romanos’ e tornou-se grande amigo de santo Hipólito. De volta à Alexandria, a violenta repressão de Caracalla (filho de Severo Sétimo que martirizou o pai de Orígenes)- (215) obrigou-o a se refugiar na Palestina. Seu período de atividade docente em Alexandria se dá entre 218 e 230; era popular e sua escola recebia grande quantidade de alunos; o excesso de trabalho levou-o a deixar o ensino de filosofia a Heracles e dedicar-se exclusivamente à Sagrada Escritura. Compôs o tratado De principiis e escreveu o Hexaplas. Um rico discípulo chamado Ambrósio, pôs à sua disposição sete taquígrafos e vários calígrafos e copistas. Visitou a Arábia e Antioquia, a convite da mãe de Alexandre Severo, em 223. Em 230 foi chamado à Grécia para combater heresias; deteve-se de passagem em Cesaréia na Palestina, onde foi ordenado sacerdote aos 43 anos pelos bispos Tetisto de Cesáreia e Alexandre de Jerusalém. Percorreu Éfeso, Nicomédia e Atenas. De volta a Alexandria foi perseguido pelo bispo Demétrio que o privou do cargo de professor, suspendeu-o do sacerdócio, excomungou-o e expulsou da cidade. Recebeu abrigo dos amigos da Palestina onde viveu a partir de 232, e onde fundou uma escola e uma biblioteca, exercendo por mais de vinte anos a atividade de professor, pregador e escritor. Na perseguição de Décio (250) foi preso e torturado. Morreu em Tiro por volta de 255.

Orígenes foi o escritor mais fecundo da Antiguidade; sua atividade literária é assombrosamente extensa; Santo Epifânio fala de seis mil obras. Eusébio, grande admirador seu que lhe dedica um capítulo inteiro de sua História Eclesiástica, fala em duas mil, e São Jerônimo, em 800. A maior parte se perdeu por causa das perseguições, controvérsias e condenações. Algumas se conservam no original e a maior parte em traduções de Rufino e São Jerônimo. As mais interessantes do ponto de vista filosófico são: De Principiis, seu maior estudo teológico, constituído pela exposição sistemáticas dos dogmas fundamentais do Cristianismo. Suscitou polêmicas diversas; os nove pontos tomados por Justiniano para sua condenação estão neste tratado. E Contra Celso, obra composta entre 245-250 a pedido de seu discípulo e admirador Eusébio. (CONTINUA)

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