quinta-feira, 6 de novembro de 2014

ESTUDANDO:



A técnica do livro segundo Dom Paulo segundo São Jerônimo segundo...:


“Mas, enfim, tudo isso ainda não ultrapassa a etapa da redação. Uma segunda correção é feita no manuscrito, e consiste no confronto da cópia com o original. Nela, os copistas partilham com o autor a responsabilidade do estado definitivo de um escrito, e isto cada vez que uma nova cópia acaba de ser completada segundo o modelo. (...)

Eis nosso manuscrito pronto para ser publicado. Digo ‘manuscrito’, embora os latinos não tenham conhecido este sentido moderno da palavra. Quando empregavam o termo ‘manuscrito’, no século III da era cristã, queriam dizer o ‘caráter autêntico ou autógrafo’ de um documento, e não o fato de sua escrita manual. (...)

A prova irrefutável de que um manuscrito está conforme o original, até nos menores detalhes, é a concordância das cópias entre si. Jerônimo vai além em suas conclusões: esta concordância perfeita fornece a prova de que o exemplar modelo foi realmente acabado e publicado; um rascunho não pode cópias uniformes.

Precisamos, por acaso, perguntar de onde vem esta variedade de textos? A cópia individual a explica em grande parte. Mas Jerônimo a atribui também ao lugar de origem dos textos. A base mais garantida para o texto da Sagrada Escritura lhe é, evidentemente, dada pelos trabalhos de Orígenes. O fato é por demais conhecido. Para os Setenta – dos quais Jerônimo fala muito mal -, ele indica uma tripla fonte de manuscritos: para Alexandria e todo o Egito, Hesíquio; para Constantinopla, até Antióquia, os exemplares do mártir Luciano; para as províncias situadas entre as duas precedentes, os códices palestinos, elaborados por Orígenes e difundidos por Eusébio e Panfilo. A terra inteira vive em guerra devido a esta tripla fonte.”


Colagem a partir de:

A técnica do livro segundo São Jerônimo, Dom Paulo Evaristo Arns, CosacNaify, SP, 2007.

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