sábado, 24 de janeiro de 2015

OH MINAS GERAIS!!



 

FORÇA DO ALEIJADINHO
MURILO MENDES

A mão doente parou,
Fica suspensa no ar,
Inutilizada no ar.

Lá fora os lundus dos escravos
Acordam a lua do sono.
A escultura bem que pede uma força bem maior.
 - homem homem se me acaba
Eu acabo te abraçando. –

E a mão nunca que chega
Até o fim do caminho,
Ela está presa, bem presa,
Desde o princípio do mundo.

Então de dentro do corpo
Do homem disforme e triste
Sai uma boca de fogo,
Sopra no corpo da estátua
Que respira já prontinha,
Dá um abraço no escultor.

In História do Brasil, Murilo Mendes, Editora Nova Fronteira, RJ, 1990.
http://www.psicanaliseebarroco.pro.br/Imagens/006.jpg

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