quinta-feira, 7 de maio de 2015

RILKE:


"Calvagar, cavalgar, cavalgar, pela noite, pelo dia, pela noite.
Cavalgar, cavalgar, cavalgar.
E a coragem tornou-se tão lassa e a saudade tão grande.
Não há mais montanhas, apenas uma árvore.
Nada ousa levantar-se. 
Cabanas estrangeiras agacham-se sequiosas à beira de fontes lamacentas.
Em nenhum lugar uma torre.
E sempre o mesmo aspecto.
É demais, ter dois olhos.
Só a noite, às vezes, pensa-se conhecer o caminho. 
Talvez à noite tornemos sempre a refazer a jornada que penosamente cumprimos sob o sol estrangeiro?
Pode ser.
O sol é pesado como, entre, nós, em pleno estio. 
Mas foi no estio que nos despedimos.
Os vestidos das mulheres brilhavam longamente sobre o verde.
E agora há muito tempo que cavalgamos. 
Deve ser, pois, outono.
Pelo menos lá onde tristes mulheres sabem de nós. (...)"
(continua)
Estandarte
in A canção de amor e de morte do Porta-estandarte Cristóvão Rilke, tradução de Cecília Meireles, Editora Globo, RJ, 2000

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