terça-feira, 12 de maio de 2015

RILKE:



“Fogo de bivaque. Estão sentados em redor e esperam. Esperam que um deles cante. Mas estão de tal modo fatigados. A luz vermelha é pesada. Descansa nos sapatos poeirentos. Sobe até os joelhos, espia por dentro das mãos postas. Não tem asas. Os rostos estão escuros. Não obstante, os olhos do francesinho brilham um momento com luz própria. Beijou uma pequena rosa; e agora pode ela murchar no seu peito. O de Languenau viu-o, porque não pode dormir. Pensa: eu não tenho nenhuma rosa, nenhuma. Depois canta. E é uma velha, triste canção que , em sua terra, cantam as raparigas pelos campos, no outono, quando as colheitas vão chegando ao fim.” (...)

In A canção de amor e de morte do Porta-Estandarte Cristóvão Rilke, tradução de Cecília Meireles, Editora Globo, RJ, 2015.

COLHEITAS DE FLORES 156

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