quarta-feira, 13 de maio de 2015

RILKE:



 

“Diz o marquesinho: ‘Sois muito jovem, senhor?’ E o de Languenau, meio triste, meio arrogante: ‘Dezoito’. Depois, calam-se.
Mais tarde, o francês pergunta: ‘Tendes também uma noiva lá longe, senhor junker?’
‘Vós?’ replica o de Languenau.
‘Loura como vós’.
E de novo se calam, até que o alemão grita: ‘Mas, com os diabos, por que andais então montados, a cavalgar por esta terra peçonhenta ao encontro dos perros turcos?’
O marquês sorri: ‘Para regressar’.
E o de Languenau fica triste. Pensa numa rapariga loura com quem brincava. Selvagens brincadeiras. E queria voltar para casa, por um instante, apenas – apenas o tempo necessário para dizer estas palavras: ‘Madalena – perdoa-me ter sido sempre assim!’
Como ‘ter sido’ pensa o jovem senhor.  E já estão longe." (...)

In A canção de amor e de morte do Porta-Estandarte Cristóvão Rilke, tradução de Cecília Meireles, Editora Globo, RJ, 2015.

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