sábado, 16 de maio de 2015

RILKE:



 Rainer Maria Rilke
 “A companhia acampa além do Raab. O de Languenau cavalga para lá sozinho. Planície. Noite. A guarnição dianteira da sela brilha através da poeira. E a lua sobe. Sente-a nas suas mãos.
Sonha.
Mas alguma coisa ali grita por ele.
Grita, grita,
Rasga-lhe o sonho.
Não é um mocho. Misericórdia:
A única árvore,
Grita para ele:
‘Homem!’
E ele olha: aquilo se empina. Empina-se um corpo ao longo da árvore e uma jovem
Ensanguentada e nua
O acomete: Solta-me!

Apeia-se na negra verdura
E corta as cordas ardentes;
E vê os olhos que flamejam
E os dentes que mordem.

Ri-se aquela mulher?

Horroriza-se.
E já está a cavalo.
E galopa na noite. Elos sangrentos apertados no punho."

In A canção de amor e de morte do Porta-estandarte Cristóvão Rilke, tradução de Cecília Meireles, Editora Globo, RJ, 2015.

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