terça-feira, 19 de maio de 2015

RILKE:



 RILKE Painting blond
"Repouso! Ser hóspede, um dia. Nem sempre ser o próprio a oferecer a seus desejos mesquinha ração. Nem sempre hostilmente agarrar todas as coisas. Deixar um dia tudo acontecer, e saber: o que acontece é bom. Também a coragem deve um dia distender-se e à beira das cobertas de seda sobre si mesma dobrar-se. Nem sempre ser soldado. Trazer um dia os anéis dos cabelos descobertos, e o cabeção largamente aberto, e sentar-se em assentos de seda e até as pontas dos dedos assim: ter tomado seu banho. E tornar a aprender o que são as mulheres. E como as brancas fazem, e como são as azuis; para que possuem mãos, e como fazem gorjear seus risos quando louros rapazes trazem as belas salvas pesadas de sumarentos frutos."

In A canção de amor e de morte do Porta-Estandarte Cristóvão Rilke, tradução de Cecília Meireles, Editora Globo, RJ, 2015.

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