sábado, 23 de maio de 2015

RILKE:



“Esqueceste que por hoje és meu pajem? Queres abandonar-me? Para onde vais? Teu trajo branco dá-me direito a ti.

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‘Suspirar pela tua grosseira roupa?’

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‘Sentes frio? Tens saudades de teus pais?’

A condessa sorri.

Não. É somente porque a infância lhe caiu dos ombros, - esse suave trajo nubloso. Quem lho arrebatou?

‘Tu?’ pergunta com uma voz que nunca tinha ouvido. ‘Tu?’

E agora não há nada por cima dele. E está despido como um santo. Claro e esguio.”

In A canção de amor e de morte do Porta-Estandarte Cristóvão Rilke, tradução de Cecília Meireles, Editora Globo, RJ, 2015.

 https://verenafotografia.files.wordpress.com/2012/01/b.jpg

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