sexta-feira, 15 de maio de 2015

RILKE:



“Enfim, diante de Spork. Ao lado de seu cavalo branco, apruma-se o conde. Seu longo cabelo tem o brilho de ferro. O de Languenau não perguntou nada. Reconhece o general, salta do corcel e inclina-se numa nuvem de pó. Traz um escrito consigo que o deve recomendar ao conde. Este, porém, ordena: ‘Lê-me esse trapo’. E seus lábios não se moveram. Não necessita deles para isso; são na verdade suficientes para praguejar. Quanto ao mais, fala a destra. E acabou-se. Spork está diante de tudo. Até o céu está longe. Então, diz Spork, o grande general:

‘Porta-estandarte’.

E é muito.” 

Cavalos na poeira Fotografia de Stock

In A canção de amor e de morte do Porta-estandarte Cristóvão Rilke, tradução de Cecília Meireles, Editora Globo, 1996.

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