quarta-feira, 27 de maio de 2015

RILKE:



6

“Isto é o amanhecer? Que sol se eleva? Como é grande o sol. São pássaros? Suas vozes estão pro toda parte.
Tudo está claro, mas não é dia.
Tudo é ruidoso, mas não são vozes de pássaros.
São as trevas que brilham. São as janelas que gritam. E gritam, vermelhas, dirigindo-se para o inimigo que está lá fora, no campo chamejante, gritam: Incêndio.
E com o sono rasgado no rosto todos se precipitam, meio recobertos de ferro, meio despidos, de sal em sala, de refúgio em refúgio, e procuram a escada.
E com estrangulado alento as buzinas gaguejam no pátio:
A reunir! A reunir!
E trêmulos tambores.”

In A canção de amor e de morte do Porta-Estandarte Cristóvão Rilke, tradução de Cecília Meireles, Editora Globo, RJ, 2015.

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