terça-feira, 30 de junho de 2015

11º capítulo: FIM

Aproximou-se da cabeça do homem observando-a com a mesma curiosidade e dedicação com que observava tudo na vida. Depois, molhando a toalha na água do balde, limpou a face e lavou os cabelos. Em seguida, os penteou e perfumou. Admirou; e gostou muito do próprio trabalho.

Então, colocou a cabeça sobre a bandeja e sussurrou-lhe que esperasse um pouco, precisava deixar tudo em ordem para não aborrecer a mulher.

Arrumou o lugar limpando a madeira suja de sangue, colocando ferramentas de volta nas prateleiras, varrendo o terreiro, recolhendo o lixo. Tão caprichoso quanto o homem, pensou.

Tudo ficou perfeitamente limpo e arrumado. Sussurrou para a cabeça sobre a bandeja: ‘ela vai gostar’.

Então, segurando a bandeja com elegância, caminhou e entrou em casa. Foi até o quarto da mulher e ela estava deitada, dormindo, linda como sempre, tranquila entre seus lençóis de seda.

Ele a admirou por alguns instantes e a chamou pela primeira vez: ‘ ôhhhh ôhhh mãe!’. Ao primeiro chamado, ‘ôhhh ôhhh mãe’, a mulher saltou e sentou-se como um boneco de mola.

Miguel estava de pé, ao lado da cama, oferecendo-lhe a bandeja. Ele estava sorrindo como ela nunca o vira sorrir.

Ele disse: ‘É para você’. 

Magda Maria Campos Pinto

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