quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

FELIZ ANO NOVO!

DE VOLTA AO TRABALHO...
À POESIA, logo, à esperança! beijos quasesertaneiros a todos.


 

OITO



 RABISCO

A  vida, um rabisco,
Frouxo, espiroide,
De criança, indolente.
Pontos, de interseção,
Encontros, relâmpagos,
Acontecem, poucos,
E é só, e é tudo.

In Os vaga-lumes desaparecem, José Narciso Bedran, Scriptum, BH, 2015.

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terça-feira, 29 de dezembro de 2015

SETE



RECÉM-NATO



Confio no coração de ouro

Do pior dos bandidos.

Acredito no desprendimento

E nas boas e primeiras intenções.

Vejo, vindo atrás das garras,

A maciez de uma pata.



Eu nasci ontem.



In Os vaga-lumes desaparecem, José Narciso Bedran, Scriptum, BH, 2015.
 presépio encostado 1 (7 peças) presépio marfinite minimalismo

domingo, 27 de dezembro de 2015

SEIS



 BRINCADEIRA!

Do jeitinho como se praticou na infância,
A gente simula compromissos,
Finge que está muito azafamada,
Que trabalha numa lojinha ou escritório.

A gente representa constituir uma família,
Aguarda todos os dias a sorte grande,
Arremeda competições e enche gavetas,
Ignora que se adoece ou se morre.

E quem – me digam, por favor –
Não aprendeu a brincar?

In Os vaga-lumes desaparecem, José Narciso Bedran, Scriptum, BH, 2015.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

CINCO



SOTAQUE



Minha primeiras palavras

 - meu idioma, língua-mãe -,

Já uma peculiar pronúncia.

Sotaque, cada vez mais carregado,

Longos anos, se acentua,

Até o momento – haverá –

Em que – língua morta –

 não mais me farei entender.



In Os vaga-lumes desaparecem, José Narciso Bedran, Scriptum, BH, 2015.

 

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

QUATRO



DEDOS

Roo a unha do mindinho,
Coço o ombro com o seu vizinho,
Enfio a aliança no pai-de-todos,
Tom o lápis entre
O fura-bolo e o mata-piolho.

Até meus dedos
Me parecem hóspedes.

In Os vaga-lumes desaparecem, José Narciso Bedran, Scriptum, BH, 2015.

presépios de natal iluminados