sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

DOIS



Frankenstein



A mão assassina –

Costurada em meu braço.

O pé desertor –

Colchetado em minha perna.

O olho dissimulado –

Arrolhado em minha face.

A língua aviltante –

Encaixada em minha boca.

A genitália prostituta –

Afixada em minhas virilhas.

O cérebro maquiavélico –

encarcerado em meu crânio.



Todos nós, retalhos de cada um.


In Os vaga-lumes desaparecem, José Narciso Bedran, Scriptum, BH, 2015.

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