sexta-feira, 25 de março de 2016

60 anos de GRANDE SERTÃO: VEREDAS 4

"De primeiro, eu fazia e mexia, e pensar não pensava. Não possuía os prazos. Vivi puxando difícil de difícil, peixe vivo no moquém: quem mói no asp'ro, não fantaseia. Mas, agora, feita a folga que me vem, e sem pequenos dessossegos, estou de range rede. E me inventei neste gosto, de especular ideia."

O maior livro já escrito – Grande Sertão: Veredas

terça-feira, 22 de março de 2016

60 anos de GRANDE SERTÃO: VEREDAS

 Guimaraes-Rosa-Grande Sertão Veredas
"O inferno é um sem-fim que nem não se pode ver. mas a gente quer Céu é porque quer um fim: mas um fim com depois dele a gente tudo vendo.
Diadorim queria o fim. para isso a gente estava indo.
E a vontade de fim, que me ora vinha ranger na boca, me levou num avanço.
Tocamos, fim que o mundo tivesse."

grande_sertao_veredas_-_felipe_miguel_-_flickr

domingo, 20 de março de 2016

60 anos de GRANDE SERTÃO: VEREDAS

 
"A gente viemos do inferno - nós todos - compadre meu Quelemém instrui. Duns lugares inferiores, tão monstro-medonhos, que Cristo mesmo lá só conseguiu aprofundar por um relance a graça de sua sustância alumiável, em as trevas de véspera para o Terceiro Dia."

 Grande Sertão: Veredas

sábado, 19 de março de 2016

UM POUCO DE REFLEXÃO: FREI BETO

 LIVRO UM DEUS MUITO HUMANO: UM NOVO OLHAR SOBRE JESUS

"A meu ver, o mais difícil não é amar a teu Pai e ao próximo. É justamente amar a si mesmo. Quando constato o que temos feito de nossas vidas, me pergunto se de fato nos amamos. Grosso modo, minha resposta é 'não'. Parece que tão somente nos suportamos. Ou, quando muito, amamos o nosso conforto, o nosso dinheiro, os nosso status. Isso não significa que nos amemos. Diria mesmo que, por vezes, nos odiamos, pois ligamos a todo o vapor a nossa mente e o nosso corpo, até o limite do estresse, sem sequer admitir que é preciso parar, relaxar e aprender a pensar pequeno. Small is beautiful! Poluímos o organismo com o alcatrão do cigarro, o álcool das bebidas ou a química das drogas. Sem dar tempo à saliva de processar quimicamente os alimentos, engolimos ansiosos, vorazes, entupindo-nos de gorduras e doces. Se tivesses vivido em nossa época, verias como estas duas cenas se assemelham: um pasto repleto de urubus em torno da carniça e uma churrascaria rodízio! A diferença é que, pela ótica dos urubus, somos uns canibais cruéis, pois além de não comermos crus os cadáveres das vacas, dos bois e dos porcos, queimamos ao fogo e, sem dentes apropriados, retalhamos à faca, forçando os bocados a descer goela baixo sob a pressão da enxurrada de cerveja."

in UM DEUS MUITO HUMANO, Frei Beto, Fontanar, São Paulo, 2015.

frei_betto 
ps: obrigada, Lívia.

quinta-feira, 17 de março de 2016

60 anos de GRANDE SERTÃO: VEREDAS 3

 grande-sertão-veredas
"Sempre, no gerais, é à pobreza, à tristeza. Órfão de conhecença e de papeis legais, é o que a gente vê mais, nestes sertões. Homem viaja, arrancha e passa: muda de lugar e de mulher, algum filho é o perdurado. Quem é pobre pouco se apega, é um giro-o-giro no vago dos gerais, que nem os pássaros de rios e lagoas."

Guimarães Rosa nasceu em Cordisburgo, Minas Gerais, em 27 de junho de 1908. Faleceu no Rio de Janeiro, aos 59 anos, em 19 de novembro de 1967 **

terça-feira, 15 de março de 2016

60 anos de GRANDE SERTÃO: VEREDAS 2

 Foto Guimarães Rosa _ 01
"O que é que vale e o que é que não vale?Tudo. Teve grandes ocasiões em que eu não podia proceder mal, ainda que quisesse. Por quê? Deus vem, guia a gente por uma légua, depois larga. Então, tudo resta pior do que era antes. Esta vida é de cabeça-para-baixo, ninguém pode medir suas perdas e colheitas."

quinta-feira, 10 de março de 2016

ATUALIZANDO:

 Vamos?

"O senhor sabe?: não acerto no contar, porque estou remexendo o vivido longe algo, com pouco caroço, querendo esquentar, demear, de feito, meu coração naquelas lembranças. Ou quero enfiar a ideia, achar o rumozinho forte das coisas, caminho do que houve e do que não houve. Às vezes não é fácil.  Fé que não é." 

 Grande Sertão: Veredas, João Guimarães Rosa

quarta-feira, 2 de março de 2016

HILDA - 3

 

"Cego caminharei sobre granitos de fogo
descarnado e demente para todos
mas trovador de trinados
do negro paraíso do teu rosto
ou se quiseres, dobra-me.
Tua mão sobre a minha nuca
há de curvar meu corpo até a cintura
nos tonéis da pergunta. Hei de saber o fosso
do nunca compreender. Como tem sido até agora
sobre mim, esses ventos de areias do teu sopro
ou aquieta-me. o coração junto ao musgo da pedra
isento desta busca."


in  Com meus olhos de cão, Hilda Hilst, Editora Globo, SP, 2013. Hilda Hilst

Mia Couto na Casa Fiat de Cultura

Aos amantes de Mia Couto, uma oportunidade imperdível...                                                      Renato Parada Data:   d...