segunda-feira, 30 de maio de 2016

RADUAN NASSAR VENCE O PRÊMIO CAMÕES/ 2016

12º autor brasileiro a vencer o maior prêmio literário para autores de língua portuguesa.
OBRAS DE RADUAN:
 
1.Lavoura Arcaica (1975) 
2. Um Copo de Cólera (1978) 
3. Menina a Caminho (1994)

quinta-feira, 26 de maio de 2016

ESTUDANDO:

Fim


Quando eu morrer batam em latas,

Rompam aos saltos e aos pinotes,

Façam estalar no ar chicotes,

Chamem palhaços e acrobatas!

Que o meu caixão vá sobre um burro

Ajaezado à andaluza...

A um morto nada se recusa,

E eu quero por força ir de burro!



Mário de Sá Carneiro,

Paris, 1916.

 Mario de Sa-Carneiro

quarta-feira, 25 de maio de 2016

PENSANDO:

"Não sei de tudo que está por vir, mas seja o que for, vou fazer dando risada."

Stubb, em Moby Dick

 Baleias-e-Golfinhos (1)

sábado, 21 de maio de 2016

PORQUE É HORA:



 A Montanha Dos 7 Abutres - DVD
Faço hoje uma analogia com a medicina: em algumas situações precisamos de dose bem alta, dita dose de ataque, para romper certo estado e iniciar um processo novo. Daí, resolvi repassar uma sugestão que recebi com gosto. Indicação de 11 filmes!!! Vamos lá... A hora é agora (as razões e reflexões ficam por conta de cada um, que respeito muito, e com quem gostarei de dialogar): 

1.       A montanha dos 7 abutres (1951) – Billy Wilder
2.       A embriaguez do sucesso (1957) – Alexander MacKendrick
3.       Um rosto na Multidão (1957) – Elia Kazan
4.       O Monstro na Primeira Página (1972) – Marco Bellocchio
5.       Um dia de cão (1975) – Sidney Lumet
 
dog-day-afternoon
6.       Rede de Intrigas (1976) – Sidney Lumet
7.       Quis show: A verdade dos Bastidores (1994) – Robert Redford
8.       O quarto poder (1997) – Costa-Gravas
9.       Mera Coincidência (Wag the Dog) – (1997) – Barry Levinson
10.    A ditadura Perfeita (2014) - Luis Estrada
11.   O abutre (2014) -  Dan Gilroy

 wagthedog

quinta-feira, 19 de maio de 2016

HILDA:


 “Eu nem soube falar do amor nos homens.

(Amor feito de júbilo aparente)

Nem soube replantar no que era terra

Uma mesma semente.

Tive no peito o mantra mais secreto

E não pude vibrá-lo, alento, lira

Corda divina seu veio certo.



Elaborei em vão todos meus sonhos.

E súbito me tomas e me ordenas

A solidão mais funda:

Estes cantos agora, alguns poemas

Um amor tão perfeito e indizível

Porque não é tumulto nem tormento.

(E se o homem na carne foi punido

O verbo diz melhor do sofrimento).



Que nome te darei se em mim te fazes?

Se o teu batismo é o meu e eu só te soube

Quando soube de mim?"



In Exercícios, Hilda Hilst, Editora Globo, São Paulo, 2013.

terça-feira, 17 de maio de 2016

HILDA:




“De delicadezas me construo. Trabalho umas rendas

Uma casa de seda para uns olhos duros.

Pudesse livrar-me da maior espiral

Que me circunda e onde sem querer me reconstruo!

Livrar-me de todo olhar que quando espreita, sofre

O grande desconforto de ver além dos outros.

Tenho tido esse olhar.  E uma treva de dor

Perpetuamente.

Do êxodo dos pássaros, do mais triste dos cães,

De uns rios pequenos morrendo sobre um leito exausto.

Livrar-me de mim mesma. E que para mim construam

Aquelas delicadezas, umas rendas, uma casa de seda

Para meus olhos duros.”



In Exercícios, Hilda Hilst, Editora Globo, São Paulo, 2013.

 

domingo, 15 de maio de 2016

MAIS HILDA HILST:



vitral.jpg

“As faces encostadas nos vitrais

E através, as figuras e o jardim.

E era tanta a vontade de ver mais

Que uma névoa descia sobre mim



E o que eu queria ver, via jamais.

O cheiro quase rubro dos jasmins

Redobrava meu pranto de seus ais

Nessa tarde de luz nos seus confins.



Voltou-se o amigo e olhou minha tristeza.

Eu só te vejo a ti. Antes não visse.

Imaginaste a tarde. Ela não existe.



Mas seu rosto era pleno de beleza

E por isso deixei que me mentisse

Antes que só por mim ficasse triste."



In Exercícios, Hilda Hilst, Editora Globo, São Paulo, 2013.